Thursday, June 21, 2012


Ao longos dos anos, e, mais precisamente os últimos quatro, muita água já passou por baixo da ponte. Quatro anos foi tempo suficiente pra amar e "desamar" mais que uma meia duzia de vezes, chorar e  aprender que isso é normal, ganhar a confiança de alguém e perder a confiança em outros, fazer inúmeros amigos e perder alguns também. Ganhar dinheiro suficiente e ser largado na rua da amargura, conhecer o grande amor da minha vida e entretanto aceitar, depois de algumas taças a mais de vinho, que aquele será sempre um amor impossível. 

Foi tempo suficiente pra dar boas risadas, curtir viagens a lugares inesquecíveis, ler bons livros e começar a escrever o meu próprio. Foram tempos em que a esperança e a fé por vezes faltaram. Ao longo desses anos aprendi um outro idioma, conheci lugares e pessoas, fui influenciado por muitas delas e descubro hoje, com sentimento de profunda gratidão que também influenciei algumas. 

Levei muito tempo pra entender que a ansiedade e insegurança, a despeito de toda e qualquer bagagem de conhecimento e experiência adquiridos ao longos dos anos no banco da universidade, sempre irão dar as caras nos momentos mais inoportunos. Elas fazem parte da natureza humana. Mas estou aprendendo também, que quando sossego e deixo o futuro e  as aspirações na mão de Deus, todas as preocupações vão se tornando coisa nenhuma. 

O futuro, como diz o poeta, muda a nossa vida sem pedir licença e depois convida a rir ou chorar. Nesse futuro não me interessa ser ator coadjuvante, quero ser o principal. Quero conhecer novos rostos, ler novos livros, quero ficar exausto ao fim do dia e ainda assim ter tempo pra uma caminhada na praia - isso mesmo meu futuro próximo terá alguma praia - quero deixar a porta do coração entreaberta aos amores possíveis  e os impossíveis, ainda que perca com isso algumas noites de sono. Quero voltar a frequentar a igreja e o mais importante, ter tempo pra Deus, abrir mão do cigarro, ganhar dinheiro, acordar mais cedo, falar menos, ouvir mais...

...continua.




Thursday, June 14, 2012

Agreste

Os dias pra mim possuem uma dualidade de sensações. Há os que amanheço leve, flutuando como um passaro, os planos a fluir na mente, confiante, os olhos se abrindo diante de um céu azul, o horizonte bem definido na mente, quase a levitar. Noutros, tudo é diferente, o sopro das reminiscências soa mais alto, a natureza parece estática. Sou contraditório dentro de uma coerência cotidiana. As noites, essas me recebem sob o agasalho da recatada intimidade. Delicio-me com os fins de tarde, quando a luz perde a imponência maior e o gradiente se torna escuro. Pode parecer estranho; mas é no escuro que meus olhos fisgam o imperceptível.

Acordo, imbuído do prazer estelar da noite que passou. E, no entanto, o quarto de dormir se deixa banhar pelos feixes do sol. A janela, devasso-a para respirar o oxigênio da renovação. Tenho sede de vida; vou vigiar o lusco-fusco com o intuito de entregar-me por inteiro à sabedoria dos despojados. Antes, todavia, há muito o que fazer: irei ao banco, pagarei contas, comprarei um novo livro, aborrecer-me-ei novamente com a monografia. O corpo se cansará na rede imbricada das relações formais e, depois, o cansaço da labuta me impelirá ao claustro — ao quarto de estudo. Apagarei a luz, deitarei no chão, então rapidamente me recuperarei dos inúteis afazeres.

Estou a salvo agora. Tomo um banho. Purifico-me. O ritual do sossego se inicia: no silêncio da noite e na placidez de Sabina, tocando no mp3. A essa hora não ouço os ruídos da fuleragem na casa ao lado, a velocidade dos carros na rodovia próxima, o burburinho de vozes em conversas desinteressantes, as discórdias do mundo... Escuto apenas a quietude da lua despontando à meia-noite.

Não penso em nada. Quero esvaziar-me das nódoas de um insípido dia. Sinto-me completo na liturgia da noite; é tempo de apreciá-la. Vou sair e tomar uma cerveja sozinho. Circunvolunção, e agora, e depois do agora, e o mesmo agora, e o presente dilapidando o instante, e Clarice Lispector a se perguntar pelo “é”... é isso ai só ela e, talvêz, Drummond me compreenda agora.

Fecho os olhos. Enxergo-me. Mergulho na ausência das coisas para depois absorvê-las com maior intensidade. Foi não foi, é necessário uma faxina interior, rasgar as emoções com a intenção de substituí-las. Qual o quê! Não serei capaz de anular minhas lembranças ou meus atos; por mais que me esforce, é vão todo o propósito. O inconsciente se encarrega de reter o que quero e o que não quero também. Um jogo de subjetivações para o qual me doo com um certo gozo. Preciso sair e beber um pouco.

O tempo firma a madrugada. A cerveja desce ao embalo de um vazio proposital. E não há como escapar da menor recordação: chego à conclusão de que o meu problema é tão somente esquecer... Impossível. A memória define minha identidade. O resumo do meu “eu” corresponde ao espaço da evocação. Assim, em um poço de oposições, vou edificando dias e noites. Sobrevivendo sem arranhões.

Amanhã, acordarei mais vivo e escreverei sob a ode das cores, até berrantes, quem sabe? Hoje estou negro. Ao modo de Drummond: “estou escuro, estou rigorosamente noturno, estou vazio”.

Thursday, March 15, 2012


Para Itala Carvalho

As árvores farfalhavam verdejantes, o pólen se acumulava sobre as roupas finas e leves. A primavera brota na sua quase hierártica paisagem. Ela deambula pela avenida beira mar sentindo a brisa fresca de um fimde tarde agradável. São seis horas da tarde. Seus pés não cansam de caminhar, reveste-se da firmeza dos que sabem o que querem, pisa o chão com intimidade, velho conhecido de tempos já pretéritos, apesar da pouca idade. Não tem pressa. Nunca tem pressa quando se sente bem. Desejava que os minutos se prolongassem e que eu os aprisionasse no reduto mais secreto da memória. Quisera eternizar amores que se foram, deixando-a plangente numa rua distante, ladeirosa, cheia de curvas. Talvez no Rio Vermelho, com suas baianas, a inebriar-lhe de cheiros, chouriços, mandingas, queijos, enredo dramático que mitigue a dor das perdas irreparáveis. 

A tasca consola a saudade. No embalo da canção que ecoa, escuta o murmúrio do vento a fustigar o rosto, celebrando as nortadas habituais dos cânticos crepusculares. O calçadão da orla, repleto de turistas alegra o passeio. Há tanta gente ao seu redor que o burburinho das vozes a faz sentir cada vez mais familiarizada com o aparentemente desconhecido. Chega ao fim do passeio e viaja no vôo da pomba branca que não se cansa de exibir a sua bela coreografia. Seu corpo leve ganha as asas que tanto desejejava ter. Por que não alçar, pelo menos na imaginação, a vertigem das sensações impossíveis? Está feliz. A noite é longa. Que ela se estenda, legando lembranças que aspira vivenciar independentemente dos limites. Prossigue sem destino, apegada apenas à vontade de ir em frente. Olha o mar. Vê as ondas como que em um fluxo indefinido, um ir e vir cadenciado a se perderem em profundos redemoinhos. Abre os braços, respira fundo, percebo-se retornado.

Nada lhe é novo. Anima-se com os sentimentos antigos. Nem ao menos se conhece de fato. Será que algum dia se conheceu? Melhor evitar indagações. Prefire as perplexidades que a tornam sempre inquieta. As interjeições servem apenas para alimentar esperanças adiadas. Esse chão amigo e cheio de presságios fala de tanta coisa!


Toma um táxi. O itinerário é igual ao que repetidas vezes havia realizado. Quer degustar os saborosos quitutes baianos. Faz o que todo mundo faz. Há, entretanto, pedaços dela escondidos entre cada uma daquelas vielas. É parte da Bahia. Consciente da vocação, procuro colar os fragmentos da própria história, passo a passo, vagarosamente, sem a menor ansiedade por concluir o álbum de retratos que numa manhã ensolarada ousara catalogar. O clique das imagens alonga-se na intensa cadeia de emoções. Não consegue virar a página de acontecimentos. Juntos, coexistem numa visceral harmonia qual batuques do candomblé que se reprisa sem nunca ser o mesmo.


Barra, Ondina, Ribeira. A noite começa a cair. É hora de voltar. O céu está limpo, a lua incandesce a face num gesto de reconhecimento. Transita pelas veredas, buscando relíquias soterradas. O chão que evoca as raises lusitanas ainda guarda o orago das confissões. Sente-se no direito de recolher o que aqui deixara. Salvador, todo ele lhe cheira à cumplicidade e nostalgia.

Saturday, February 25, 2012

A ousadia da escolha

Ele era um oficial romano. Ao mesmo tempo, bom e mal. Ele comia coisas imundas, andava com a turma errada, e havia jurado fidelidade a César. Incircunciso, gentio e imundo. Olhe para ele.

Entretanto, olhe novamente. Bem de perto. Ele ajuda pessoas carentes e simpatiza com a ética judaica. Ele é gentil e devoto. "Aquele que teme a Deus com toda a sua casa, que dava esmolas generosamente ao povo e orava a Deus" (Atos 10:02 NVI).O anjo disse-lhe para entrar em contato com Pedro, que estava hospedado na casa de um amigo a trinta quilômetros de distância, na cidade costeira de Jope. Cornélio enviou três homens para encontrá-lo.

Pedro, por sua vez, faz o seu melhor para orar com o estômago vazio. Ele teve uma visão de um lençol que continha comida suficiente para arrepiar os cabelos de qualquer judeu. Pedro absoluta e resolutamente a recusa. "Não, Senhor! Pois eu nunca comi coisa alguma comum e imunda "(v. 14 NVI).

Mas Deus não estava brincando sobre isso. Ele repete três vezes a visão, deixando o pobre Pedro em um dilema. Pedro pensava nos porcos no cobertor quando ouviu uma batida na porta. Ao som da batida, ele ouviu o chamado do Espírito de Deus em seu coração. "Eis que três homens te procuram. Levanta-te, portanto, desce e vai com eles, não duvide, porque eu os enviei "(vv. 19-20 NVI).

Este foi um momento de confronto para Pedro.

Muito a seu estilo, Pedro convida os mensageiros para passar a noite e ir na manhã seguinte atender Cornelio. Quando Pedro chega, confessa o quão difícil esta decisão tinha sido. "Você sabe que nós judeus não tratamos com gentios. Mas Deus me mostrou que ele não acha que ninguém é impuro ou impróprio "(v. 28 CEV). Pedro fala a Cornélio sobre Jesus e o evangelho, e antes que Pedro possa se dar conta, a presença do Espírito estava entre eles, e glorificavam a Deus.
E nós? Continuamos ainda pensando no versículo 28?: "Deus me mostrou que ele não acha que ninguém é impuro ou impróprio".

Em nossas vidas você e eu estamos indo ter com aqueles que consideramos a márgem?. Atirados para fora. Às vezes expulsos por uma igreja. E sempre podemos escolher. Regeição ou resgate. Rejeita-los ou amá-los? Sabemos quequal a escolha de Jesus. Basta olhar para o que ele fez conosco.

Monday, January 16, 2012

Tudo que você precisa.

As vezes ficamos esperando que uma alteração nas circunstancias traga uma mudança de atitude. Sendo assim, nos aprisionamos. O que esperamos acontecer é maior do que aquilo que simplesmente poderíamos fazer para que aquilo acontecesse.


Posso ir um pouco mais além? O que é a única coisa que nos separa da felicidadeComo preencheriamos este campo em branco: "Eu vou ser feliz quando ________________"? Quando eu for curadoQuando for promovido. Quando encontrar um grande amorQuando ficar novamente solteiro. Quando for ricoComo é que você terminaria essa afirmação?



Agora, com a sua resposta em mente, responda a isso. E se seu sonho nunca se realizar, se a situação nunca mudar, você ainda será feliz? Se não, então você está dormindo na cela fria do descontentamento. Você está numa prisão. 



Você tem um Deus que ouveo poder do amor ao seu lado, o Espírito Santo dentro de você, e todo o céu à sua frente. Se você tem o Pastor, você tem também a sua misericórdiapara cada momento, uma vela para cada vento, e uma âncora para cada tempestadeVocê tem tudo que você precisa.

Tuesday, December 13, 2011

PRESENTES DIVINOS



Ahh, as coisas que fazemos para dar presentes àqueles que amamos.
Não medimos esforços. Faríamos tudo de novo. Fato é que fazemos tudo de novo. A cada Natal, cada aniversário, a cada vêz que  nos encontramos em viagem. Os adultos vão em lojas de brinquedos. Pais a lojas de crianças. Esposas adepartamento de pesca, e maridos aos departamentos de bolsas.
E faríamos tudo de novo. Sempre imagino que o ser humano se apresenta em sua melhor roupagem quando dá presentes. Na verdade, somos mais semelhantes a Deus quando fazemos isso. Ao menos assim imagino.
As vezes me pergunto porque Deus á tão generoso. Ele poderia ter deixado o mundo plano e cinza; eu nunca teria conhecido a diferença. Mas ele não fez.
Ele espirrou laranja no nascer do sol e fez o céu em azul. E se você gosta de ver os passaros em revoada, é provável que veja isso também.Será que Ele foi obrigado a fazer os pássaros cantarem? Não.E o jeito engraçado que as galinhas correm ou a majestade do trovão quando se faz ouvir?Por que dar perfume a flôr? Por que dar sabor a comida?Será que ele gosta de ver a surpresa em meu rosto?
Se nós damos presentes para mostrar o nosso amor, quanto mais Ele? Se nós, salpicado de fraquezas e ganância amamos dar presentes, quanto mais Deus, Deus puro e perfeito, gosta de dar presentes para nós?
Todo o dom revela o amor de Deus ... mas nenhum dom revela o seu amor mais do que os dons da cruz. Eles vieram, não embrulhados em papel, mas na graça. Não colocadas ao redor de uma árvore, mas de uma cruz. E não cobertas com fitas, mas aspergidas com sangue. 

Muito obrigado, Pai, porque apesar de não merecer, tenho recebido teus presentes todos os dias.

Thursday, December 09, 2010

HOMEM PERFEITO

Não existe homem fiel. Você já pode ter ouvido isso algumas vezes, mas afirmo com propriedade. Não é desabafo. É palavra de homem que conhece muitos homens e que conhecem, por sua vez, muitos homens. Nenhum homem é fiel, mas pode estar fiel (ou porque está apaixonado (algo que não dura muito tempo - no máximo alguns meses - nem se iluda) ou porque está cercado por todos os lados (veremos adiante que não adianta cercá-lo (isso vai se voltar contra você)..A única exceção é o crente extremamente convicto.Se você quer um homem que seja fiel, procure um crente daqueles bitolados, mas agüente as outras conseqüências.

Não desanime. O homem é capaz de te trair e de te amar ao mesmo tempo. A traição do homem é hormonal, efêmera, para satisfazer a lascívia. Não é como a da mulher. Mulher tem que admirar para trair; ter algum envolvimento. O homem só precisa de uma banda. A mulher precisa de um motivo para trair, o homem precisa de uma mulher.

Não fique desencantada com a vida por isso. A traição tem seu lado positivo. Até digo, é um mal necessário. O cara que fica cercado, sem trair, é infeliz no casamento, seu desempenho sexual diminui (isso mesmo, o desempenho com a esposa diminui), ele fica mal da cabeça. Entenda de uma vez por todas: homens e mulheres são diferentes. Se quiser alguém que pense como você, vire lésbica (várias já fizeram isso e deu certo), ou case com um gay enrustido que precisa de uma mulher para se enquadrar no modelo social. Todo ser humano busca a felicidade, a realização. E a realização nada mais é do que a sensação de prazer (isso é química, está tudo no cérebro).

A mulher se realiza satisfazendo o desejo maternal, com a segurança de ter uma família estruturada e saudável, com um bom homem ao lado que a proteja e lhe dê carinho. O homem é mais voltado para a profissão e para a realização pessoal e a realização pessoal dele vêm de diversas formas: pode vir com o sentimento de paternidade, com uma família estruturada etc. Mas nunca vai vir se não puder ter acesso a outras fêmeas e se não puder ter relativo sucesso na profissão.

Se você cercar seu homem (tipo, mulher que é sócia do marido na empresa), o cara não dá um passo no dia-a-dia (sem ela) você vai sufocá-lo de tal forma que ele pode até não ter espaço para lhe trair, mas ou seu casamento vai durar pouco, ele vai ser gordo (vai buscar a fuga na comida) e vai ser pobre (por que não vai ter a cabeça tranqüila para se desenvolver profissionalmente (vai ser um cara sem ambição e sem futuro).

Não tente mudar para seu homem ser fiel. Não adianta. Silicone, curso de dança sensual, se vestir de enfermeira etc... Nada disso vai adiantar. É lógico que quanto mais largada você for, menor a vontade do homem de ficar com você e maior as chances do divórcio. Se perfeição adiantasse, Julia Roberts não tinha casado três vezes. Até Gisele Bündchen foi largada por Di Caprio. Não é você que vai ser diferente (mas é bom não desanimar e sempre dar aquela malhadinha).

O segredo é dar espaço para o homem viajar nos seus desejos (na maioria das vezes, quando ele não está sufocado pela mulher, ele nem chega a trair, fica só nas paqueras, (troca de olhares). Finja que não sabe que ele dá umas pegadas por fora. Isso é o segredo para um bom casamento. Deixe ele se distrair, todos precisam de lazer.

Se você busca o homem perfeito, pode continuar vendo novela das seis. Eles não existem nesse conceito que você imagina. Os homens perfeitos de hoje são aqueles bem desenvolvidos profissionalmente, que traem esporadicamente (uma vez a cada dois meses, por exemplo), mas que respeitam a mulher, ou seja, não gastam o dinheiro da família com amantes, não constituem outra família, não traem muitas vezes, não mantêm relações várias vezes com a mesma mulher (para não criar vínculos) e, sobretudo, são muuuuuito discretos: não deixam a esposa e nem ninguém da sua relação, como amigas, familiares saberem.

Só, e somente só, um amigo ou outro dele deve saber, faz parte do prazer do homem contar vantagem sexual. Pegar e não falar para os amigos é pior do que não pegar. As traições do homem perfeito geralmente são numa escapolida numa boite, ou com uma garota de programa (usando camisinha e sem fazer sexo oral nela), ou mesmo com uma mulher casada de passagem por sua cidade. O homem perfeito nunca trai com mulheres solteiras. Elas são causadoras de problemas. Isso remete ao próximo tópico.

Esse tópico não é para as esposas, é só para as solteiras e amantes.

Esqueçam de uma vez por todas esse negócio de que homem não gosta de mulher fácil. Homem adora mulher fácil. Se 'der' de prima então, é o máximo.Todo homem sabe que não existe mulher santa. Se ela está se fazendo de difícil ele parte para outra. A oferta é muito maior do que a procura. O mercado está cheio de mulher gostosa. O que homem não gosta é de mulher que liga no dia seguinte. Isso não é ser fácil, é ser problemática (mulher problema). Ou, como se diz na gíria, é pepino puro. O fato de você não ligar para o homem e ele gostar de você não quer dizer que foi por você se fazer de difícil, mas sim por você não representar ameaça para ele.Ele vai ficar com tanta simpatia por você que você pode até conseguir fisgá-lo e roubá-lo da mulher. Ele vai começar a se envolver sem perceber. Vai começar a te procurar. Se ele não te procurar, era porque ele só queria aquilo mesmo. Parta para outro e deixe esse de stand by. Não vá se vingar, você só piora a situação e não lucra nada com isso. Não se sinta usada, você também fez uso do corpo dele – faz parte do jogo; guarde como um momento bom de sua vida.

90% dos homens não querem nada sério.Os 10% restantes estão momentaneamente cansados da vida de balada ou estão ficando com má fama por não estarem casados ou enamorados; por isso procuram casamento. Portanto, são máximas as chances do homem mentir em quase tudo que te fala no primeiro encontro (ele só quer te comer, sempre). Não seja idiota, aproveite o momento, finja que acredita que ele está apaixonado, dê logo para ele (e corra o risco de fisgá-lo) ou então nem saia com ele. Fazer doce só agrava a situação. Estamos em 2007 e não em 1957. Esqueça os conselhos da sua avó, os tempos são outros.

Para ser uma boa esposa e para ter um casamento pelo resto da vida faça o seguinte: Tente achar o homem perfeito, dê espaço para ele. Não o sufoque. Ele precisa de um tempo para sua satisfação. Seja uma boa esposa, mantenha-se bonita, malhe, tenha uma profissão (não seja dona-de-casa), seja independente e mantenha o clima legal em casa. Nada de sufocos, de 'conversar sobre a relação', de ficar mexendo no celular dele, de ficar apertando o cerco etc. Você pode até criar 'muros' para ele, mas crie muros invisíveis e não muito altos. Se ele perceber ou ficar sem saída, vai se sentir ameaçado e o casamento vai começar a ruir.

Se você está revoltada por este texto, aqui vai um conselho: vá tomar uma água e volte para ler com o espírito desarmado. Se revoltar com o que está escrito não vai resolver nada em sua vida. Acreditar que o que está aqui é mentira ou exagero pode ser uma boa técnica (iludir-se faz parte da vida, se você é dessas, boa sorte!). Mas tudo é a pura verdade. Seu marido/noivo/namorado te ama, tenha certeza, senão não estaria com você, mas trair é como um remédio; um lubrificante para o motor do carro. Isso é científico. O homem que você deve buscar para ser feliz é o homem perfeito. Diferente disso, ou é crente, ou gay ou tem algum trauma (e na maioria dos casos vão ser pobres). O que você procura pode ser impossível de achar, então, procure algo que você pode achar e seja feliz ao invés de passar a vida inteira procurando algo indefectível que você nunca vai encontrar. Espero ter ajudado em alguma coisa.

Friday, September 03, 2010

Vinho é a vingança masculina ao sapato da mulher. Sempre cabe mais uma garrafa na adega!

Amores...

Parar de fumar, ir à igreja com mais frequência, fazer musculação, abandonar a raiva e o orgulho, meditar, aprender alguma coisa nova, desaprender várias outras… Transformar-se para ela, deixar que minha vida se torne um presente a ser lentamente degustado por... ela. Passar dias planejando momentos inesquecíveis, vestir-se bem, comprar presentes, dirigir, ou melhor, comprar o carro antes, por horas seguidas, abrir portas, perguntar “Está frio demais aqui dentro?”, e tudo aquilo que um homem presente e atento faz. A potência que deseja sexo é a mesma que deseja amar. E amar é isso: agir a favor da felicidade do outro.

Wednesday, September 01, 2010

Gourmandisses

Não sei se por conta de sua beleza, elegância... mas o certo é que o prazer de cozinhar e partilhar com os amigos mais chegados um bom prato ao fim de tarde, jogando conversa fora é sempre maior quando faço alguma das receitas dessa chef luso-brasileira... ai vai uma ótima que espero fazer por esses dias...

Ingredientes
Em primeiro lugar, pegue uma variedade de queijos de sua escolha em fatias, dando preferência àqueles que derretem melhor, como mussarela de búfala, emmental suíço, camembert, cheddar e gorgonzola.

Separe ainda duas fatias de presunto cru (ou frios de sua preferência), meia pimenta dedo-de-moça sem semente e finamente picada, folhas de coentro e tortilhas (aquela massa fina em círculo que se encontra em muitos supermercados e que fica ótima quando recheada e tostada na chapa).
  
Preparo
Numa frigideira antiaderente, em fogo médio, coloque uma tortilha (pode ser uma pizza brotinho sem recheio). Por cima dela, ponha seus diferentes tipos de queijo, as fatias de presunto cru (ou outro tipo de frios), a pimenta picada e, por último, algumas folhas frescas de coentro. Tampe com outra tortilha e deixe tostar, virando dos dois lados até o queijo se derreter. Sirva imediatamente, enquanto está quente, com um fio de azeite por cima e uma taça de paralelo 8.

 ah, esqueci da companhia... tão importante quanto o vinho!

DONNA





Para Fernanda


O lounge era agradável, descontraído e simpático. Era fim de tarde e uma nesga de luz solar entrava pela janela dando um tom dourado ao ambiente. Ele chegou primeiro pediu um vinho, safra 2009 e ficou observando o sol cair no horizonte por trás da ponte presidente Dutra. Nem havia acreditado direito quando, ontem à noite no telefone ela havia aceitado seu convite para um happy hour. Ficou tão ansioso que custou a adormecer. Vagueava pelos pormenores; o restaurante, a melhor vista da cidade, o cardápio requintado e apetitoso, o vinho ideal para embalar a conversa... Lembrou que ela não bebia. Era evangélica. Por isso ele resolveu chegara antes e pedir apenas para si. Escolheu um paralelo 8, tinto intenso, como ele imaginava, se pretendia esse encontro. Sentado no piso inferior, uma espécie de reservado com meia dúzia de mesas, e paredes forradas de garrafas, ele podia escutar os risos e aplausos que ecoavam no andar de cima. Ficou imaginando as palavras do amigo Fábio, professor de enologia da faculdade, se estivesse ali com ele:
- Está vendo, aqui temos a prova de que o vinho torna as pessoas mais alegres.
Lá fora, um Honda FIT estaciona do outro lado da rua. De dentro sai uma jovem mulher com jeans escuros, blusa de malha branca e cabelos amarrado no alto da cabeça em um rabo de cavalo elegante. Ela tranca o carro, aciona o alarme, olha o relógio, pega o celular e disca um número. Eles se conheceram nos tempos de faculdade. Isso já fazia quatro anos. Ela uma morena de cabelo castanho, longo, porte elegante, sorriso espontâneo, era de longe a garota mais bonita da classe. Ele, loiro, olhos de um verde claro, frequentemente confundidos com azul, em um primeiro momento, a imaginou como namorada. Descobriu logo em seguida que ela já tinha um. Era previsível, afinal, as mulheres interessantes sempre tem. Nos anos que se seguiu, quase sempre estiveram em lados opostos. Em comum, apenas as convicções religiosas. Era a primeira vez, desde que fora para o Recife fazer mestrado, que voltava ao sertão. Chegara no dia anterior e já partiria amanhã novamente. Ligara apenas para desejar feliz aniversário, mas resolveu fazer o convite para jantar no dia seguinte e ela aceitara.
    No bolso da camisa pólo preta, ele sente o celular vibrar. É ela querendo saber se ele já chegou. Dá-se conta que alguma coisa nele havia mudado. A pontualidade nunca fora seu forte, nem mesmo para encontros amorosos, o que não é o caso agora. Levanta-se, sorri, dá um beijo amigável no rosto dela. Nota o perfume suave que ela usa que ele imagina não ser francês, afinal os franceses são fortes e esses, ele odeia sentir. Afasta gentilmente a cadeira para que ela sente, chamam o garçom com um gesto, pede uma salada niçoise    cigat, pergunta o que ela gostaria de beber, e ela pede uma água com gás.
    Depois de tanto tempo longe, ficou imaginando o que ela estaria a fazer da vida. Será que casara, tinha filhos, no que estaria trabalhando? Pelos cálculos ela teria agora 25 anos. Nos tempos da faculdade, não se lembrava de tê-la ouvido falar em fazer mestrado. Nas poucas vezes em que conversavam, ela deixava escapar que gostava de nutrição. A mulher que está agora na frente dele, falando sobre as conquistas e realizações nos últimos quatro anos, é uma edição melhorada da garota de antes. A menina irrequieta e insegura quanto ao futuro, tornara-se uma mulher sofisticada e confiante em sua própria capacidade. De repente, começou a imaginar o que aconteceria se desse em cima dela, pondo, por exemplo, a mão na dela sobre a mesa. Desistiu. Queria mesmo era a amizade dela. Eram mil e uma as perguntas que lhe queria fazer... será que devia? Perguntar acerca dos relacionamentos, falar acerca dos seus, enfim amenidades entre amigos. Fazendo uma analogia com o vinho, ele imagina a morena à sua frente, como um espumante produzido em anos de vidima excepcional, com aroma e sabor complexos e ao mesmo tempo delicados. Ao fim do encontro, com um abraço e um beijo respeitoso no rosto, ele se despede com a certeza de que, decididamente ele e a amiga sabem viver os momentos em que o caráter e a sofisticação se combinam.

O fugitivo

Foi assim: era domingo, uma daquelas tardes tediosas que parecem acumular um legado de lembranças. Tardes de reverberações em que as horas representam o somatório de uma semana em despedida. O rosto traçado em linhas finas, dotado de aparência delicada. As solicitações de um mundo em efervescência impeliam-no a cuidar de sí com mais determinação. Na verdade, estava cansado de submeter-se às órdens de um cotidiano que exigia dele o máximo de doação. Há muito vinha pensando em tomar a decisão de morar sozinho, ter oportunidades, decidir horários, enfim, conhecer-se a si mesmo sem interferências alheias. Mas viver exige coragem; ele acovardou-se tanto, que qualquer movimento em contrário, lhe parecia tardio. Ouviu o ruido do vento entrando pela janela e decidiu tomar um pouco de scotch. Apanhou o copo, despejou o líquido âmbar, deitou quatro pedras de gelo, nem mais nem menos, quatro pedras de gelo de tamanho regular. E redondas. Ao lado do copo alinhou o guardanapo, abriu a gaveta do armário, apanhou a caixa de marlboro, acendeu um. deixou a sala com ar introspectivo, e dirigiu-se para o quarto. Precisava amadurecer as ideias. a tarde se esvaia num domingo pesado de reflexões. a cada quinze minutos uma badalada. ele tomava para sí a galhardia de agir com autonomia, de rebelar-se contra uma situação tão cômoda, de crêr na possibilidade de singularizar-se como alguém que vive, que tem vontade própria. Que carece de um mínimo de privacidade para contruir-se em identidade. Crescia uma revolta interior a sugar-lhe por dentro, como que roubando sua inconciência. Já nem falava em consciência, essa diluira-se na monotonia da vida atual. Falava de algo involuntário, que para ele representava um novo núcleo existencial. Não poderia aquiescer às inúmeras reividicações do mundo que o cercava; ele, porém, tinha um nome, e aspirava à dificil condição e ser. Á sombra dos últimos momentos da tarde, ele retirou a mala do guarda-roupa. Lentamente colocou umas peças de roupa, dois livros, o cd do John Legend…, Ouviu o celular tocando. Era ela que convidava para um chopp em algum bar boêmio da cidade. “Precisamos sair para alegrar a noite, nada como um chopp e um bom papo… onde vamos?” Ele alega indisposição física e nâo confirma o encontro. Deambula pelo quarto, num ir e vir sem norte. Estava tonto. tonto de desejos desconhecidos, tonto de apelos infantis, tonto e nesgas de independência. De soslaio, como um fugitivo de algum calabouço medieval, saiu do quarto e deixou a porta aberta. Foi assim: tudo aconteceu numa tarde de domingo sombria, tediosa e carregada dos dias da semana que passara. Foi assim exatamente assim que ele quebrou os laços de uma vida medíocre…

Tuesday, August 25, 2009

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Eudberg Oliveira

Sunday, August 05, 2007

Hoje cheguei à conclusão de que devemos por vezes fazer esforços, ainda que sejam contra os nossos princípios e ideais, para dar sempre o beneficio da dúvida. Gosto de ir para a cama, deitar a cabeça no meu travesseiro e pensar que fui o mais sensato possível. Desde pequeno que sempre achei que uma das coisas importantes da vida passa em dar uma oportunidade a quem erra. É o mais carreto. Claro que serão oportunidades comedidas, não será de esperar que se falhe à 4ª vez e ainda se dê a 5ª oportunidade para demonstrar que existem casos que nunca mudarão. Cada caso a sua sentença.

Saturday, August 04, 2007

A arte (ou o defeito) de não papar comerciais

Sempre fui um osso duro de roer para as campanhas comerciais. Por muitos motivos: sou teso; moderadamente consumista e moderadamente materialista. Mas há mais. Para começar sou preguiçoso. O tipo de cara que não adere a uma tarifa fantástica de celular pura e simplesmente porque nem se dá ao trabalho de um estudo comparativo de tarifas. Finalmente, nunca fui muito avant garde em quase nada da minha vida e isso drasticamente se reflete na lentidão com que me possam convencer que o produto x me faz falta.
Mas há uma característica mais amadurecida e refinada que tenho que me torna (ainda) um osso mais duro de roer para as vendas. Analiso as pessoas, sempre, compulsivamente. A cada atitude, lá estou eu a indagar-me da justeza e da motivação das atitudes do meu interlocutor. E das minhas atitudes, e dos meus pensamentos. Ser emocional é fantástico: deixar-se ir, por ela nos faz esquecer da razão. E claro, pode trazer presentes envenenados: tornar-nos escravos da manipulação dos outros: cenouras à frente do nariz, escolha alheia do rol dos nossos sonhos, amargura de perda daquilo que nem sabemos que não quereríamos realmente se pensássemos bem.Vender é isso: criar no outro a ilusão de que o que temos para vender lhe faz falta. Ao ponto de no outro passa a ser obsessão esse objetivo. Comprar.
Eu, pelo menos em alguma medida, desmistifico o sonho e apercebo que aquela coisa fantástica que me vendem, e que por vezes nos meus sonhos eu compro, seria uma bengala para a minha felicidade coxa, mas que na realidade não tornaria uma perna tão comprida como a outra. Se quero que a minha felicidade corra de nuvem em nuvem, não é de um novo tênis, uma camisa de determinada marca, o celular do momento que me salvarão. Embora reconheça que a ilusão me salvaria um pouco mais... Acho que é por isso que tenho pouca paciência para comerciais. Quando conhecemos os truques de magia, o mágico parece-nos um charlatão. E acho que é por isso que nunca quis ser eu próprio um: odiaria vestir a pele do tal lobo. E depois há outra coisa: as estratégias de venda. Há mil estratégias de venda e eu sei que não saberei sequer da missa a metade.

Sunday, July 29, 2007

"O bater por estes lados das asas de uma borboleta pode causar um terremoto na China." A frase é mais ou menos esta.A mim, a idéia sempre impressionou. E é por isso que tenho grande alergia à possibilidade de causar terremotos, sobretudo na China dos outros. Entenda-se. Sinto-me muito pouco confortável com a idéia de que aquilo que eu faça possa influir na desventura alheia. Mesmo quando dou conselhos aos amigos, me seguro na estratégia de discursar em delta.Comigo não há conselhos, não sou um GPS, na melhor das hipóteses, sou um mapa. Abro opções, o resto é com você. Porquê? Porque me apoquenta essa responsabilidade de fuder com o mundo dos outros com a minha desajeitada pata de elefante. Posto isto já posso passar ao ponto dois do meu raciocínio.
Os tiranos em particular e os moços com poder abstrato sempre me intrigaram. A capacidade que essa gente tem de influenciar, manipular, decidir.Não se trata de coisa tão pouca como possa parecer. A cada momento exercer a faculdade de afetar o destino do próximo e não viver com uma azia brutal. É daquelas coisas que eu creio que exijam muita convicção ou pouca humanidade. O Inferno, como o vejo, é o interlúdio eterno em que os nossos súbditos nos vêm narrar das suas vidas que prejudicamos.